Um talento sombrio que marcou o cinema dos anos 90
O cinema norte-americano perdeu um de seus grandes atores de personagens intensos e memoráveis. Peter Greene, conhecido por interpretar vilões icônicos como Zed em Pulp Fiction (1994) e Dorian Tyrell em O Máskara (1994), foi encontrado morto na última sexta-feira (12), em seu apartamento em Manhattan, Nova York. Ele tinha 60 anos.
A informação foi confirmada por seu agente, Gregg Edwards, ao portal Deadline. Segundo ele, Peter Greene já estava inconsciente quando foi encontrado e foi declarado morto no local. A causa da morte ainda não foi divulgada. Conforme noticiado pelo New York Post, as autoridades foram acionadas após vizinhos relatarem que músicas estavam tocando em seu apartamento sem parar por mais de 24 horas. A polícia realizou então uma verificação de bem-estar.
“Ele era um cara fantástico. Verdadeiramente um dos grandes atores da nossa geração. Ele tinha um coração enorme. Vou sentir muita falta dele. Ele era um grande amigo”, declarou Edwards com pesar.
A trajetória de Peter Greene nas telonas
Peter Greene fez história no cinema ao encarnar personagens intensos, muitas vezes obscuros, que deixaram sua marca na cultura pop. Em Pulp Fiction: Tempo de Violência, dirigido por Quentin Tarantino, Greene interpretou Zed, um policial corrupto e sádico, em uma das cenas mais perturbadoras do filme – e que até hoje é lembrada por fãs e críticos.
Em O Máskara, um sucesso global protagonizado por Jim Carrey, ele viveu Dorian Tyrell, o vilão que rouba a máscara mágica e se transforma em um adversário ainda mais perigoso. A atuação de Greene ajudou a equilibrar o tom cômico do filme com uma ameaça real, consolidando seu nome como um ator versátil e eficaz em papéis antagônicos.
Outros papéis de destaque
Com uma carreira que se estendeu por mais de três décadas, Peter Greene colecionou participações em dezenas de filmes e séries. Ele esteve no elenco de Um Tira Muito Suspeito (1999), Dia de Treinamento (2001) – vencedor do Oscar com Denzel Washington – e Caçador de Recompensas (2010), onde contracenou com Gerard Butler e Jennifer Aniston.
Em 2018, integrou o elenco de Cidade de Mentiras, longa baseado no assassinato dos rappers Tupac Shakur e Notorious B.I.G. Recentemente, Greene participou da série Ladrões de Drogas (2025), estrelada por Wagner Moura e Brian Tyree Henry. Seu nome também estava envolvido em dois projetos em andamento: o filme Mascots, com Mickey Rourke, e o documentário From the American People: The Withdrawal of USAID, no qual atuava como narrador ao lado de Jason Alexander e Kathleen Turner.
O legado sombrio e cativante de Peter Greene
Greene construiu uma carreira baseada em um carisma peculiar. Diferente de outros atores de sua geração, ele não buscava o protagonismo clássico. Preferia os papéis intensos, complexos e muitas vezes marginalizados, como se quisesse habitar os recantos sombrios da psique humana – e dar a eles uma voz.
Mesmo com pouco tempo de tela, seus personagens ficavam na memória do público. Não à toa, Zed e Dorian Tyrell são até hoje lembrados como antagonistas marcantes, mesmo em filmes com protagonistas tão explosivos quanto os de Tarantino e Carrey.
Uma vida reservada e discretamente prolífica
Peter Greene sempre manteve sua vida pessoal longe dos holofotes. Nunca esteve envolvido em escândalos típicos de Hollywood e preferia se dedicar à atuação com seriedade. Ao longo dos anos, embora não tenha se tornado um astro de bilheteria, era frequentemente escalado por diretores que reconheciam seu talento singular.
O ator deixa um irmão e uma irmã. Sua morte representa não apenas a perda de um intérprete talentoso, mas também o fim de uma era em que o vilão ganhava complexidade, profundidade e presença de cena graças ao talento de artistas como ele.
O impacto cultural de personagens como Zed e Tyrell
Em um período em que o cinema buscava chocar, entreter e reinventar gêneros, Peter Greene surgiu como peça-chave de um novo tipo de vilania cinematográfica. Seus personagens não eram caricatos – ao contrário, eram assustadoramente humanos.
Essa abordagem tornou-se tendência nos anos seguintes, e atores como Greene ajudaram a moldar a estética do “anti-herói” e do vilão empático que se tornaria tão popular nas décadas seguintes.
Peter Greene e a estética dos anos 90
Se os anos 90 marcaram uma nova era de filmes cult, com diretores autorais como Tarantino e os irmãos Coen, atores como Greene eram os pilares que sustentavam essa revolução narrativa. Atores coadjuvantes, mas não menos importantes, que davam veracidade e densidade aos roteiros.
Em entrevistas antigas, o ator dizia preferir “personagens que fossem difíceis de entender” e que “escondessem algo que o público pudesse temer e, ao mesmo tempo, se compadecer”. Isso explica o motivo de sua filmografia ser tão marcante, mesmo com papéis aparentemente pequenos.
Últimos trabalhos e o que ficou por fazer
Mesmo aos 60 anos, Greene continuava ativo. A participação na série Ladrões de Drogas mostrou que sua energia cênica permanecia intacta. O filme Mascots, em produção, e o documentário narrado por ele são agora aguardados com mais expectativa ainda. Serão, provavelmente, seus últimos registros artísticos.
A expectativa é de que esses trabalhos postumamente celebrem sua habilidade inconfundível de transformar qualquer papel em algo memorável.